Cheiros da Terra

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sexta-feira, 1 de maio de 2009


Arupemba
Entre muitos dos artefatos indígenas como a rede, a esteira, as cerâmicas, balaios, jacás, quibanos e arapucas* etc., a
arupemba foi um dos que mais se popularizou e é ainda hoje muito usado como utensílio de grande utilidade pelo povo brasileiro, principalmente no Norte e Nordeste, onde o ato de peneirar foi associado ao prazer, à aproximação das pessoas, sobretudo do homem e da mulher.
A arupemba é tecida com finas e trabalhadas fitas de taquara (taboca), com furos para permitir a passagem de grão ou massas e dependendo do que se quer peneirar os furos variam de tamanho.
Principalmente aqui no Norte e Nordeste a Arupemba de taboca ainda é usada , principalmente nas farinhadas para peneirar a tapioca para beiju e a massa de mandioca para a fabricação da farinha e da “farinha de goma” * no dizer do Nordeste e da farinha de tapioca no falar do Pará.
Nas farinhadas aqui no Nordeste, geralmente nos meses de junho a agosto percebe-se o quanto da utilidade da Arupemba ou da Peneira para as comunidades da roça que beneficiam a mandioca. Ainda existem localidades da região onde não existe energia elétrica e as casas de farinha são iluminadas com
Lamparinas* e ainda se usa a arupemba de taboca e se faz o ato de peneirar de forma coletiva, de dois, de três ou mais, e que se constitui um momento de alegria e onde o rapaz se aproxima de uma “moça” e pode começar um namoro, “mãos que se tocam no vai e vem da peneira... olhos que falam cochichos.” daí tornou-se a peneira, um símbolo de prazer, e como diz a música: "Eu tava na peneira, eu tava peneirando... , eu
tava no namoro, eu tava namorando।" Como se percebe em torno da Peneira ou Arupemba aqui no Nordeste e Norte existe um arquétipo cultural, associando este utensílio ao prazer, às danças ao amor e todas as lembranças prazerosas
Francisca Nascimento. THE-PI

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